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sábado, 28 de junho de 2014
Olhos perolados na imensidão.
(Parte 4)
Não é a toa que
aprendemos, desde de muito cedo, a tomar cuidado com o que falamos ou
desejamos. Certa vez, acabei dizendo para alguém, que desejaria muito, em meu
aniversário, ganhar uma bicicleta, na páscoa desejei o maior chocolate de
todos, e também desejei um dia ir para a Disney. Todos esses meus desejos
acabaram se realizando, incrivelmente, uma hora ou outra. Quando cresci,
descobri o poder que as palavras tinham e então, desejei conhecer o mundo. De
verdade, não apenas algumas viagens aqui e outras ali. Desejei voar, desejei
nadar, desejei andar até meus joelhos cansarem. Eu estava disposta, acredite, a
realizar tudo isso, até que, um dia, eu desejei ter você. Eu ainda me lembro
como se fosse ontem. Ou melhor: Hoje. Eu ainda posso sentir a sensação que
seus olhos me proporcionaram quando cruzaram com os meus pela primeira vez,
enquanto enfrentávamos a fila de uma roda gigante de um parquinho que, hoje, já
nem existe mais em nossa cidade. Estávamos separados por uma grade, você com
sua turma e eu com a minha, tudo corria muito bem até que a catraca para entrar
no brinquedo se abriu e minha turma toda correu. Exceto eu, que estava
distraída demais, olhando para um certo par de pérolas azuis ao meu lado. Seus
olhos. Acho que eu sequer estava respirando naquele momento, pois quando o moço
que administrava o brinquedo me chamou, foi necessário que eu me segurasse na
grade graças às minhas pernas que tremiam feito gelatina, enquanto meu
coração... Bem, parecia simplesmente ter se dividido em mil pedacinhos,
percorrido minhas veias, e, agora, pulsava fortemente e aceleradamente em cada
centímetro de meu corpo. Quando finalmente entrei no brinquedo, todos meus
amigos já haviam se ajeitado e eu, distraída, ainda pensando nos olhos azuis
perolados, acabei ficando sozinha. Mas não por muito tempo, pois, ao perceber
meu terrível medo por altura, o rapaz do brinquedo pediu para que alguém fosse comigo.
Perguntou se algum amigo se disponibilizaria, mas ninguém se dispôs. Se existe
um Deus, provavelmente já estava tudo arquitetado por ele lá em cima, pois,
qual não foi minha surpresa quando, você, sem mais e nem menos, se dispôs a me
acompanhar? Eu nunca te contei isso, mas agora, confesso... Minha vergonha era
tanta, que eu tive vontade de me jogar lá de cima, quando o brinquedo parou, no
topo de roda gigante. De lá, tínhamos a visão do mundo. Pequenas luzes
iluminando nossa cidade inteira, brilhando em meio à imensidão já escura pelo anoitecer.
Era tão bonito, tão profundo e, ao mesmo tempo, tão seguro, que fazia meu
estomago borbulhar. Talvez não fosse a vista a tal causadora de todas essas
sensações, emoções e sentimentos. Talvez fosse apenas o fato de que você, sem mais e nem
menos, resolvera segurar uma de minhas mãos e falar que estava tudo bem. Que
estava seguro e que eu não deveria me importar com nada mais, exceto, é claro, com o momento.
Desde então, tudo o que eu fiz, foi me importar apenas com o momento. Foi me
sentir segura com você, no momento. Momentos que eu não quero que acabem,
porém, são também, momentos que eu quero eternizar da maneira que eu sempre sonhei. Não quero
seguir essa linha de namorar, casar, ter filhos e acabou. Nunca quis. Quero viver todas as
emoções que eu sempre desejei, ter oportunidade de realizar todos os meus outros sonhos. Eu quero viver aventuras,
antes de finalmente sossegar. Você sendo tão oposto de mim, eu sei que nunca
estaria disposto à isso. Ficar com você, significaria abrir mão de todos os
meus outros sonhos e, sinceramente, não estou pronta para isso. Nem sei se um
dia estarei. Voltando ao dia em que nos conhecemos, lá em cima, quase tocando
as estrelas, tendo a visão do mundo ao nosso redor, eu sei que era o momento
perfeito. Um momento perfeito que já se passou. Um momento perfeito, com uma
sensação tão perfeita, que me faz ir atrás de mais. Talvez eu esteja viciada
nessa tal sensação, como uma droga. Eu estou atrás da minha droga. Atrás da
minha mais nova sensação. Dos meus desejos e, finalmente, dos meus sonhos. Me desculpe por isso.
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domingo, 22 de junho de 2014
Sublime
Por que promete coisas
que não pode cumprir? Ainda me lembro como se fosse ontem, seus lábios
sussurrando em meu ouvido que nosso amor seria eterno. Tão eterno que
ultrapassaria uma vida. Ultrapassaria o infinito. Aparentemente, já acabamos
com esse infinito e, em meio a tanta confusão, eu acabei nem me dando conta.
Talvez eu estivesse cego demais. Você era perfeita, e não só para mim. Acredito
que todo mundo te veja dessa maneira, afinal, é impossível não ver. Acredito
que eu, um mero mortal perto de sua beleza, tenha ficado para trás no meio
desse processo. Tudo bem, eu entendo. A vida tem que seguir em frente, e, como
dito anteriormente, já estou fazendo isso. Eu não quero mais ouvir palavras
suas, tampouco saber de você. Você foi a coisa mais maravilhosa que tive, a
coisa mais maravilhosa que eu jamais terei novamente, a coisa maravilhosa que
eu preciso esquecer. E eu vou esquecer. Dizem por aí que há coisas na vida que
são insubstituíveis, mas, acredite, quando queremos, podemos nos acostumar com
a ideia de uma terrível substituição. Eu posso me acostumar com a ideia de uma
substituição. Alguém que, diferente de você, acredite fielmente no amor.
Acredite no nosso amor, e, principalmente, em mim. Em outra ocasião, eu jamais
te abandonaria, trocaria, ou, se quer, desviaria os olhos. Você foi e sempre
será a definição do sublime para mim e, acho que esse é o problema. Não podemos
alcançar o sublime. Não podemos tocar o sublime. Ninguém nunca conseguiu, por
que eu, tão insignificante diante de tudo, conseguiria? Acho que já estava predestinado
a ser desse jeito, afinal. Eu para lá, você para cá. Eu aqui, você aí. Longe.
Incomunicáveis. Intocáveis. De um lado: Você feliz. Do outro lado: Eu,
petrificado, congelado. Mas eu irei derreter, não se preocupe. Eu serei feliz,
e espero que você também seja. Eu entendo seu espírito rebelde, entendo tudo
sobre você, mas não posso aceitar a ideia de que você pense que estávamos
predestinados à afundar algum dia. Tudo isso tinha o único propósito de te
fazer ser minha. Ser seu, se você quisesse. Mais do que um status; era uma
demonstração de amor puro. De amor infinito. De aceitar passar a vida um do
lado do outro, contra tudo, contra o mundo. Acho que isso, no final das contas,
deve assustar você. Talvez você se dê melhor sozinha, talvez agora eu me dê
melhor sozinho também, quem sabe. Quem sabe o que o futuro nos guarda? Quem
sabe o futuro ME guarda? Espero que para ambos, seja algo que faça nossa vida
valer a pena, afinal, o que tínhamos antes, aparentemente não era o suficiente.
Não para você. Somente para mim. Mim; eu; sozinho; no infinito.
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domingo, 15 de junho de 2014
Nome: Instrumentos Mortais: Cidade das cinzas (The Mortal Instruments: City Of Ashes)
Autora: Cassandra Clare
Tipo de escrita: Terceira pessoa
Número de páginas: 406
Nota: 9,5 (Ainda revoltada com a história do Simon)
Quote: "- O que você quer que eu diga? A verdade? A verdade é que eu amo Simon como eu deveria amar você, e eu gostaria que ele fosse meu irmão e você não, mas não posso fazer nada quanto a isso, nem você. Ou tem alguma outra ideia, considerando que é tão incrivelmente inteligente?"
Diferente do primeiro livro (Cidade dos Ossos), Cidade das cinzas já começa com energia total. Logo no prologo, nos deparamos com uma cena que me lembrou MUITO supernatural, com Valentim mostrando que não está para brincadeira, ao fazer contato com um demônio e nos deixar mais do que claro de que a coisa vai feder de vez. Você tem tanta certeza de que a coisa ta feia que, logo em seguida, começa a presenciar cenas tão calmas que, de vez de, de fato te acalmar, te deixa mais apreensiva ainda. Quero dizer, como Clary pode estar tomando café da manhã, toda tranquila, com Luke, enquanto Valentim está por aí, aparentemente preparando uma guerra? Você tem vontade de entrar correndo no meio da história, com os braços levantados e gritando para eles correrem para as montanhas ou se prepararem para o que está por vir. Isso, de fato, é o mais legal de tudo, pois, mesmo precisando manter o foco na história, nos planos de Valentim contra a Clave, Cassandra Clare (Autora) consegue nos apresentar novos personagens sem deixar nada vago, nos contar mais detalhes sobre antigos personagens e nos fazer sentir que de fato fazemos parte da família, estamos no ciclo de amizade, estamos lutando junto com eles. Sofrendo com eles também. Alias, sofrimento é o que mais tem nesse livro. Sofrimento de todos os tipos. Um dos mais importantes é, sem sombra de dúvidas, o triangulo amoroso que PRECISA se desenvolver e ser resolvido, coração contra lógica, ação e reação contra coração. Jace, Clary e Simon estão super empenhados em resolverem isso o mais depressa possível, sem deixar de lado, assuntos mais importantes do submundo. A coisa, basicamente, parece que nunca terá solução, uma vez que, sempre que um deles dá um passo avante para a solução, os três são obrigados (por motivos naturais ou não) a dar dois, três passos para trás. Uma das coisas que, inicialmente me revoltou, foi a evolução da história de Simon. Eu sempre gostei dele, obvio, sempre soube que ele seria um personagem importante e tudo mais, mas o que Cassandra Clare fez com ele, para mim, não foi muito válido. Sempre achei que a característica principal dele, fosse o fato dele ser um mundano qualquer. O ponto que transmitia à Clary, uma certa tranquilidade, que a fazia lembrar de sua vida "passada", ver que nem tudo foi uma mentira, nem tudo foi em vão. Sabe? Simon era, para mim, o mundano que fazia Clary ver que sua vida antiga, não era uma total mentira. Simon estava ali, era um mundano, e continuava com ela. Mas tudo acontece por um motivo e, obviamente, há males que vem para bem. Esse mal definitivamente veio para um bem maior e, de uma maneira muito profunda, intensa e esclarecedora, o livro conseguiu se desenvolver de uma maneira muito rápida, sem nos fazer perder nenhum detalhe no meio do caminho. A história em si, apesar de nos fazer ficar muito mais presa do que o primeiro livro, foi menos agitada e, em minha opinião, foi melhor assim, pois, como disse, deu para esclarecer muita coisa. A ação, de fato, fica por conta do final que, vejam só, foi bem inesperado. Surge a Inquisidora (Que, ao meu ver, tem algo que fará a história de Jace virar de ponta cabeça no terceiro livro, que por sinal eu não li ainda, então só estou supondo), surge Maia, surgem lobos, surgem fadas, surgem até demonios que me fizeram lembrar cenas de Jurassic Park (não me julguem) e, por fim, lá no epilogo, surge uma mulher que, aparentemente, tem uma carta na manga para trazer uma felicidade já inesperada para o coraçãozinho de Clary e muita, muita, muita curiosidade para o nosso.
Com uma visão geral, Cidade das cinzas é, sem sombra de dúvidas, melhor com o primeiro. Consegue lidar muito bem com temas que estão no ápice hoje em dia, como, por exemplo, a homossexualidade e o amor em família. Ela consegue, também, nos deixar mais envolvidos ainda com a história, meios paranoicos com o que pode acontecer em cenas seguintes e, principalmente, ansiosos, malucos, presos ao livro do inicio ao fim. É uma dessas histórias que você SIMPLESMENTE não pode deixar de ler. Não vejo a hora de ler os próximos!
Sinopse:
"Clary Fray só queria que sua vida voltasse ao normal. Mas o que é “normal” quando você é uma Caçadora de Sombras assassina de demônios, sua mãe está em um coma magicamente induzido e você de repente descobre que criaturas como lobisomens, vampiros e fadas realmente existem? Se Clary deixasse o mundo dos Caçadores de Sombras para trás, isso significaria mais tempo com o melhor amigo, Simon, que está se tornando mais do que só isso. Mas o mundo dos Caçadores não está disposto a abrir mão de Clary — especialmente o belo e irritante Jace, que por acaso ela descobriu ser seu irmão. E a única chance de salvar a mãe dos dois parece ser encontrar o perverso ex-Caçador de Sombras Valentim, que com certeza é louco, mau... e também o pai de Clary e Jace.
Para complicar ainda mais, alguém na cidade de Nova York está matando jovens do Submundo. Será que Valentim está por trás dessas mortes? E se sim, qual é o seu objetivo? Quando o segundo dos Instrumentos Mortais, a Espada da Alma, é roubada, a aterrorizante Inquisidora chega ao Instituto para investigar — e suas suspeitas caem diretamente sobre Jace. Como Clary pode impedir os planos malignos de Valentim se Jace está disposto a trair tudo aquilo em que acredita para ajudar o pai?
Nessa sequência de tirar o fôlego da série Os Instrumentos Mortais, Cassandra Clare atrai os leitores de volta para o lado mais obscuro do submundo de Nova York, onde amar nunca é seguro e o poder se torna a mais mortal das tentações. - por Skoob."
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