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quarta-feira, 2 de julho de 2014
Nome: Princesa Adormecida
Autora: Paula Pimenta
Tipo de escrita: Primeira pessoa
Número de páginas: 184
Nota: 8 (Achei que faltou história)
Quote: "De tanto viver enclausurada, você criou um mundo paralelo na sua imaginação e acha que a vida é um livro de princesas. Pois saiba que a realidade é diferente. Não existem príncipes destinados para nós desde o nascimento, nem bruxas malvadas, muito menos fadinhas para realizarem nossos sonhos. Na vida real, são os amigos que nos ajudam a conseguir o que queremos. Que nos dão força. Que salvam nossa pele nas épocas difíceis. É uma pena que você não saiba disso."
Eu sempre amei a Paula Pimenta, assim como sempre amei contos de fadas. Sou sim, uma amante dos romances mais "menininhas" possíveis, então, não é surpresa nenhuma que eu tenha ficado simplesmente eufórica quando soube sobre o lançamento desse livro (Para falar a verdade, eu SEMPRE fico eufórica pelos lançamentos da Paula, mas isso é só um detalhe, hahaha). Contei os meses, os dias, as horas, os minutos e, até mesmo, os segundos, para, por fim, conseguir ter o livro em mãos. E agora, cá estou eu! hahaha
Para começar, engane-se quem pensa que a história começa com uma paisagem toda enfeitada, mágica e surreal. Não, não. Nossa princesinha está, na verdade, bem pertinho da gente. Mais precisamente, no Rio de Janeiro, toda linda, bela e formosa, falando português e tudo mais! Sua vida é pacatamente normal, às vezes em conflitos internos sobre suas memórias da infância, mas, nada que a afete de fato. Ela consegue, sem maiores problemas, ser uma pessoa feliz e amável. Morando aos finais de semana com seus três tios, Florindo, Fausto e Petronio, Áurea... Ou melhor, Anna Rosa, tem uma vida bastante dedicada aos estudos quando está no colégio interno. As coisas fluem perfeitamente bem, até que, no seu aniversário de 16 anos, suas amigas resolvem dar um presente especial para ela. O tal presente especial, não podia vir em tão boa hora. Ou podia? Bem, com um final feliz ou não, esse acontecimento é o que dá início a toda aventura e confusão de Áurea. Em primeiro lugar, por seus tios que ficam super irritados. Em segundo, por um garoto misterioso que começa a conversar com ela por mensagens de celular. Garoto cujo qual, ela nunca sonhou em ver na vida. Ou será que sonhou? Ok, isso você terá que descobrir por si só, hahaha. O fato é que, com esse garoto, vem de brinde muitas outras coisas que já estavam apagadas de sua memória. Uma "nova vida antiga", regada de muita angustia, saudade e, é claro, maldade. Maldade está que teve o poder de virar sua vida de cabeça para baixo e que, agora, mais forte do que nunca, tem o poder de, além de tudo, simplesmente acabar com sua vida. Assim, na lata mesmo. No sentido literal da coisa. Entre a vida e a morte, Áurea terá que ter um psicológico de ferro para aguentar todas as emoções e surpresas que ficaram escondidas debaixo de 7 chaves durante muito tempo, antes de, por fim, ganhar o seu merecido final feliz. Final feliz que, é claro, virá regado de muita magia e fofura, de uma forma que só Paula Pimenta sabe fazer! E, é claro, faz muito bem.
O que eu achei: Obviamente, Princesa adormecida, por ser uma releitura dos clássicos da Disney, me surpreendeu muito. Mas confesso, não achei uma das histórias mais incríveis da Paula. Acho que faltou detalhes em algumas partes e sobrou detalhes em outras. Houveram partes em que eu desejei que tivesse mais história, saber mais sobre determinados assuntos, me sentir mais aprofundada na trama como um todo. No fim, cheguei a conclusão de que, talvez, tenha sido essa a intenção mesmo. Uma releitura bem rápida da história. Foram quatro horas de leitura, interruptas, emocionantes, contagiantes, sempre com sabor de "quero mais". Apesar de ter desejado, durante todo o livro, mais conteúdo, foi impossível larga-lo antes de seu final. Foi impossível, até mesmo, não desejar uma continuação.
Sinopse: "Era uma vez uma princesa... Você já deve ter ouvido essa introdução algumas vezes, nas histórias que amava quando criança. Mas essa princesa sou eu. Quer dizer, é assim que eu fiquei conhecida. Só que minha vida não é nada romântica como são os contos de fada. Muito pelo contrário. Reinos distantes? Linhagem real? Sequestro? Uma bruxa vingativa? Para mim isso tudo só existia nos livros. Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida. Se alguma vez passar por isso, saiba que você não é a única. Eu não conheço a sua história, mas a minha é mais ou menos assim..." - Por Skoob
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sábado, 28 de junho de 2014
Olhos perolados na imensidão.
(Parte 4)
Não é a toa que
aprendemos, desde de muito cedo, a tomar cuidado com o que falamos ou
desejamos. Certa vez, acabei dizendo para alguém, que desejaria muito, em meu
aniversário, ganhar uma bicicleta, na páscoa desejei o maior chocolate de
todos, e também desejei um dia ir para a Disney. Todos esses meus desejos
acabaram se realizando, incrivelmente, uma hora ou outra. Quando cresci,
descobri o poder que as palavras tinham e então, desejei conhecer o mundo. De
verdade, não apenas algumas viagens aqui e outras ali. Desejei voar, desejei
nadar, desejei andar até meus joelhos cansarem. Eu estava disposta, acredite, a
realizar tudo isso, até que, um dia, eu desejei ter você. Eu ainda me lembro
como se fosse ontem. Ou melhor: Hoje. Eu ainda posso sentir a sensação que
seus olhos me proporcionaram quando cruzaram com os meus pela primeira vez,
enquanto enfrentávamos a fila de uma roda gigante de um parquinho que, hoje, já
nem existe mais em nossa cidade. Estávamos separados por uma grade, você com
sua turma e eu com a minha, tudo corria muito bem até que a catraca para entrar
no brinquedo se abriu e minha turma toda correu. Exceto eu, que estava
distraída demais, olhando para um certo par de pérolas azuis ao meu lado. Seus
olhos. Acho que eu sequer estava respirando naquele momento, pois quando o moço
que administrava o brinquedo me chamou, foi necessário que eu me segurasse na
grade graças às minhas pernas que tremiam feito gelatina, enquanto meu
coração... Bem, parecia simplesmente ter se dividido em mil pedacinhos,
percorrido minhas veias, e, agora, pulsava fortemente e aceleradamente em cada
centímetro de meu corpo. Quando finalmente entrei no brinquedo, todos meus
amigos já haviam se ajeitado e eu, distraída, ainda pensando nos olhos azuis
perolados, acabei ficando sozinha. Mas não por muito tempo, pois, ao perceber
meu terrível medo por altura, o rapaz do brinquedo pediu para que alguém fosse comigo.
Perguntou se algum amigo se disponibilizaria, mas ninguém se dispôs. Se existe
um Deus, provavelmente já estava tudo arquitetado por ele lá em cima, pois,
qual não foi minha surpresa quando, você, sem mais e nem menos, se dispôs a me
acompanhar? Eu nunca te contei isso, mas agora, confesso... Minha vergonha era
tanta, que eu tive vontade de me jogar lá de cima, quando o brinquedo parou, no
topo de roda gigante. De lá, tínhamos a visão do mundo. Pequenas luzes
iluminando nossa cidade inteira, brilhando em meio à imensidão já escura pelo anoitecer.
Era tão bonito, tão profundo e, ao mesmo tempo, tão seguro, que fazia meu
estomago borbulhar. Talvez não fosse a vista a tal causadora de todas essas
sensações, emoções e sentimentos. Talvez fosse apenas o fato de que você, sem mais e nem
menos, resolvera segurar uma de minhas mãos e falar que estava tudo bem. Que
estava seguro e que eu não deveria me importar com nada mais, exceto, é claro, com o momento.
Desde então, tudo o que eu fiz, foi me importar apenas com o momento. Foi me
sentir segura com você, no momento. Momentos que eu não quero que acabem,
porém, são também, momentos que eu quero eternizar da maneira que eu sempre sonhei. Não quero
seguir essa linha de namorar, casar, ter filhos e acabou. Nunca quis. Quero viver todas as
emoções que eu sempre desejei, ter oportunidade de realizar todos os meus outros sonhos. Eu quero viver aventuras,
antes de finalmente sossegar. Você sendo tão oposto de mim, eu sei que nunca
estaria disposto à isso. Ficar com você, significaria abrir mão de todos os
meus outros sonhos e, sinceramente, não estou pronta para isso. Nem sei se um
dia estarei. Voltando ao dia em que nos conhecemos, lá em cima, quase tocando
as estrelas, tendo a visão do mundo ao nosso redor, eu sei que era o momento
perfeito. Um momento perfeito que já se passou. Um momento perfeito, com uma
sensação tão perfeita, que me faz ir atrás de mais. Talvez eu esteja viciada
nessa tal sensação, como uma droga. Eu estou atrás da minha droga. Atrás da
minha mais nova sensação. Dos meus desejos e, finalmente, dos meus sonhos. Me desculpe por isso.
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domingo, 22 de junho de 2014
Sublime
Por que promete coisas
que não pode cumprir? Ainda me lembro como se fosse ontem, seus lábios
sussurrando em meu ouvido que nosso amor seria eterno. Tão eterno que
ultrapassaria uma vida. Ultrapassaria o infinito. Aparentemente, já acabamos
com esse infinito e, em meio a tanta confusão, eu acabei nem me dando conta.
Talvez eu estivesse cego demais. Você era perfeita, e não só para mim. Acredito
que todo mundo te veja dessa maneira, afinal, é impossível não ver. Acredito
que eu, um mero mortal perto de sua beleza, tenha ficado para trás no meio
desse processo. Tudo bem, eu entendo. A vida tem que seguir em frente, e, como
dito anteriormente, já estou fazendo isso. Eu não quero mais ouvir palavras
suas, tampouco saber de você. Você foi a coisa mais maravilhosa que tive, a
coisa mais maravilhosa que eu jamais terei novamente, a coisa maravilhosa que
eu preciso esquecer. E eu vou esquecer. Dizem por aí que há coisas na vida que
são insubstituíveis, mas, acredite, quando queremos, podemos nos acostumar com
a ideia de uma terrível substituição. Eu posso me acostumar com a ideia de uma
substituição. Alguém que, diferente de você, acredite fielmente no amor.
Acredite no nosso amor, e, principalmente, em mim. Em outra ocasião, eu jamais
te abandonaria, trocaria, ou, se quer, desviaria os olhos. Você foi e sempre
será a definição do sublime para mim e, acho que esse é o problema. Não podemos
alcançar o sublime. Não podemos tocar o sublime. Ninguém nunca conseguiu, por
que eu, tão insignificante diante de tudo, conseguiria? Acho que já estava predestinado
a ser desse jeito, afinal. Eu para lá, você para cá. Eu aqui, você aí. Longe.
Incomunicáveis. Intocáveis. De um lado: Você feliz. Do outro lado: Eu,
petrificado, congelado. Mas eu irei derreter, não se preocupe. Eu serei feliz,
e espero que você também seja. Eu entendo seu espírito rebelde, entendo tudo
sobre você, mas não posso aceitar a ideia de que você pense que estávamos
predestinados à afundar algum dia. Tudo isso tinha o único propósito de te
fazer ser minha. Ser seu, se você quisesse. Mais do que um status; era uma
demonstração de amor puro. De amor infinito. De aceitar passar a vida um do
lado do outro, contra tudo, contra o mundo. Acho que isso, no final das contas,
deve assustar você. Talvez você se dê melhor sozinha, talvez agora eu me dê
melhor sozinho também, quem sabe. Quem sabe o que o futuro nos guarda? Quem
sabe o futuro ME guarda? Espero que para ambos, seja algo que faça nossa vida
valer a pena, afinal, o que tínhamos antes, aparentemente não era o suficiente.
Não para você. Somente para mim. Mim; eu; sozinho; no infinito.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Ruínas em meu coração.
Acredito na teoria de
que somos programados antes mesmo de nascermos. Como robôs, devemos andar na
linha. Sempre na linha. Se você der um passo em falso, meu amigo, reze. Reze
muito, pois você será julgado de todas as formas possíveis. Não respire mais
pesado do que o normal. Não ande depressa demais, tampouco devagar. Ande no
ritmo, o tempo é uma máquina! Seu chefe estará sempre de olho em você. As
pessoas sempre estarão de olho em você. A sociedade. Ah, o que falar da
sociedade? Por que devo me preocupar em ser bem sucedida antes dos trinta? Por
que ainda, na flor da idade, preciso escolher qual será minha profissão? Pudera
eles desconfiarem que eu me sinto mais como um avião, prestes a decolar sem
rumo. É injusto que agora, tão cedo, sendo basicamente uma tripulante nova e
inexperiente nesse ramo, tenha que escolher meu destino. Meu caminho. Decidir
se irei decolar como um foguete, mais alto do que às estrelas, ou se irei
afundar, de bico, de tal forma que me auto afogarei em uma profundidade tão
extrema que será impossível voltar ao caminho. Ao caminho sem volta.
Eu não quero traçar um
caminho sem volta. Eu não quero ter que escolher. Eu quero tudo, eu quero o
mundo. Quero conhecer pessoas, quero ficar sozinha. Quero sorrir, assim como
também quero chorar -por que não? Faz bem para os olhos, afinal-. Quero,
também, me sentir amada. Quero amar. Assim como amei, assim como ainda amo e,
provavelmente, sempre amarei. É incrível o que essa coisa, essa obrigação de nos
fazer ter que escolher entre destinos e rumos diferentes faz com a gente, com a
nossa mente e com o nosso coração. Eu ainda estou tentando entender e,
provavelmente, sempre tentarei. Por que um casamento pode acabar com um amor?
Com meus pais foram assim, com alguns dos meus tios e até com meus avós por
parte de pai. Parece que essa coisa chamada casamento é, com quase setenta por
cento de certeza, um voo livre de asa-delta com um único só destino: A ruína, a
imperfeição, a aflição, o afogamento. A morte. Eu não quero isso para nós,
nunca quis. Por que não pôde me entender? Por que não pôde ver meu lado? Talvez
fosse falta de conversa. Talvez, se eu mostrasse meu ponto de vista com mais
clareza... Bom, eu não sei. Eu sempre achei que você fosse O homem ideal, o
"amor da minha vida". Supus que você pudesse ler minha mente. Ver
através de mim com seus olhos. Seus lindos olhos... Ah, como sinto falta deles.
Mas não importa. Compatível com o tamanho da minha saudade, vem a certeza de
que estive errada esse tempo todo. Você não me entende. Não entende minha
mente, não sabe me ler, não sabe ver quem eu realmente sou.Não conhece minhas
entrelinhas. Sinto muito, se o Sim que você esperava ouvir, fosse enfim dito,
faríamos parte de uma estatística mais adiante. Seriamos mais um casal, entre
milhões, que se afogou em sofrimento. Que acabou com um casamento. Que acabou
com o amor. Com o amor que, de uma forma ou outra, permanecerá sempre quente em
meu coração. Em minha alma. Em mim.
(Parte 3)
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
O
homem que eu era. Que eu nunca mais serei. Que eu sou.
Ela era tão pequena e compacta em minhas mãos,
que eu nunca achei que fosse possível, um dia, ser capaz de escorrer por entre
meus dedos. Mas escorreu. Ou melhor, escoou, como uma vazamento grave,
profundo, sem conserto e, drasticamente, sem reparos. Era começo de verão,
garotos costumam gostar dessa época; Nos sentimos mais fortes, imbatíveis, como
se nem o céu fosse o limite para nossa liberdade -ainda que figurativa-. Mas
não para mim. Pelo menos não naquele verão, onde eu pensei, planejei, e ansiei
pelo mais incrível dos acontecimentos. Já namorávamos, então um casamento, por
que não? Estava tudo em minha mente. Eu tinha o plano perfeito. Eu tinha o
pedido perfeito, o momento perfeito. Estava tudo ao meu favor, o mundo estava,
como dizem por aí... Sorrindo para mim. Exceto ela. Enquanto eu ia, ela vinha.
Enquanto eu pensava A, ela pensava B, talvez Z. Eu era o quente, ela era o
gelado, apesar de se parecer mais com um novelo de lã confortável e delicado,
ainda que consistente. Já não devia ser uma grande surpresa quando soube sua
resposta. Quando soube sua verdade. Eu sabia, eu deveria saber. E, bem, eu
soube. Seu coração nunca fora meu, tampouco seria algum dia. Eu deveria sentir.
Eu senti! Da forma mais cruel possível. Uma sensação igualmente parecida com a
de um Iceberg perfurando cruelmente e lentamente cada pedaço do meu peito, do
meu coração, da minha alma. Atrocidando, devastando, esmagando, acabando.
Acabou. Assim como o verão, o outono veio. Veio também a primavera. Veio o
inverno. E outro verão. Eu renasci. Amadureci. Eu mudei. Agora, sou como outro
cara qualquer. Agora eu sou a juventude do verão; Com o frio congelante do
inverno, a despreocupação do outono, e, até mesmo, quem sabe, a renovação, a
beleza da primavera. Sou todos os caras que ela sempre quis ter. Sou todos os
homens que ela nunca terá.
(Parte 2)
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